O Sono na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

O sono é um processo fisiológico, complexo, essencial à vida, que ocorre no ser humano de uma forma cíclica, alternado com períodos de vigília. Investigações nos últimos anos têm demonstrado a importância do sono no bem estar físico e psíquico do individuo.

As necessidades de sono variam individualmente e ao longo da nossa vida. 

O tempo médio de horas de sono nocturno recomendado é de 7 – 8 horas, mas pode variar de acordo com os hábitos de sono de cada individuo, o estado de saúde e/ ou  a presença de doenças relacionadas com o próprio sono.

Os doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónicaapresentam frequentemente alterações no sono, induzidas pela própria doença respiratória e que podem ser responsáveis pela sensação ao acordar de um sono pouco reparador. 

São factores responsáveis pela deterioração do padrão de sono a presença de tosse nocturna, a produção de expectoração e/ou a retenção das secreções na arvore brônquica; episódios de dispneia nocturna; diminuição da oxigenação do sangue durante o sono, com períodos de quedas de oxigénio mais acentuadas na fase de sono REM; respiração irregular, com diminuição da  amplitude dos movimentos respiratórios durante o sono ,contribuindo também para o agravamento da oxigenação sanguínea durante a noite. 

A presença de uma Síndrome de Apneia  do Sono associada à Doença Pulmonar  Obstrutiva Crónica é também uma causa determinante para um sono não reparador. Ambas as patologias tem elevada prevalência e coexistem frequentemente. 

As paragens da respiração, associadas aos múltiplos episódios de ressonar são responsáveis por uma fragmentação do sono , agravamento da oxigenação sanguínea durante a noite e aparecimento durante o dia de cansaço, sonolência diurna, alterações cognitivas,  alterando o relacionamento interpessoal, provocando problemas laborais e constituindo muitas vezes uma causa frequente de acidentes por adormecimento. 

As complicações relacionadas com a presença de uma Síndrome de Apneia do Sono são frequentese agravadas quando existe uma Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica  associada:  Hipertensão arterial, arritmias cardíacas, acidentes vasculares cerebrais, agravamento da doença pulmonar crónica, insuficiência cardíaca e morte súbita são entre outras as principais.

O  diagnóstico e  tratamento da Apneia do Sonoé  de extrema importância pela melhoria clinica que muitos doentes  com Doença Pulmonar  Obstrutiva Crónica experimentam.

O tratamento recomendado aos doentes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica deverá não só melhorar as queixas durante o dia e a tolerância ao esforço como também conseguir um sono mais reparador, com diminuição do número de despertares nocturnos. Por outro lado todos os doentes que apresentem também uma apneia do sono deverão ser tratados. A prescrição de ventilação não invasiva constitui um método de tratamento muito eficaz, permitindo rapidamente o desaparecimento das apneias, assim como uma melhoria da oxigenação sanguínea; das alterações no padrão de sono e melhoria ou estabilização da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica.

Maria do Pilar Rente 

Médica Pneumologista – Competência em Medicina do Sono