Insónia

Define-se como a existência de um sono durante a noite inadequado ou insuficiente.
As causas mais frequentes são :

A- Insónia Psicofisiológica
É a causa mais frequente de insónia, na maior parte dos casos surge após um acontecimento traumático ou períodos de maior stress, podendo ser mantida posteriormente por vários factores intrinsecos, como o tipo de personalidade e eventualmente factores genéticos.

B- Insónia por hábitos de sono inadequados
A manutenção de hábitos de sono irregulares, leva ao fim de algum tempo a dificuldade em iniciar e manter o sono.

C- Insónia Associada a Doenças Psiquiátricas
Os quadros depressivos e outros psiquiátricos acompanham-se frequentemente de queixas de insónia, que melhoram com o tratamento da situação base.

Bruxismo

Também chamado “ranger de dentes”, acontece durante o sono e o doente não têm consciência desta situação, sendo muitas vezes referido pelos pais da criança, pela companheira(o) do doente ou pelo dentista que observa o desgaste dos dentes provocado pelo ranger dos dentes durante o sono.

É uma doença frequente na criança e no adolescente, mas pode também aparecer nos adultos e associar-se a outras doenças do sono. Vários estudos indicam uma prevalência entre 5% – 20% na população em geral. Para o diagnóstico a história clinica é importante, mas a confirmação é obtida através da realização de uma registo poligráfico de sono nocturno. É também importante realizar uma avaliação dentária para avaliar o grau de desgaste dentário.

O tratamento está indicado apenas nos casos mais graves, em que existem alterações marcadas das peças dentárias, e consiste na colocação de um dispositivo oral, de borracha, para impedir o desgaste dentário durante o sono.

Narcolepsia

Doença com início na idade jovem e que se caracteriza por sonolência diurna excessiva, muitas vezes sob a forma de ataques de sono, associado ou não a cataplexia (perda do tónus muscular, com quedas no chão, deixar cair a caneta a escrever, etc).

Pode também existir paralisia do sono (o doente fica sem conseguir mexer-se no adormecer ou ao despertar de manhã) e/ou alucinações de imagens irreias no adormecer ou acordar).

Sonambulismo

É uma parasónia que ocorre em sono NREM e é mais frequente nas crianças, podendo associar-se muitas vezes com os terrores nocturnos. No adulto também pode aparecer e parece existir uma certa tendência familiar

Os episódios de sonambulismo caracterizam-se geralmente por um deambular pela casa seguidos por um acordar calmo.

Os sonâmbulos encontram-se geralmente com os olhos abertos, mas estão a dormir (geralmente em sono profundo NREM) e podem desde passear pela casa, realizar determinadas tarefas, até ausentarem-se de casa.

A grande maioria dos casos de sonambulismo regridem ao longo dos anos, não necessitando de tratamento.

Apneia do Sono

É a causa mais frequente de hipersónia e pode afectar até 10% da população adulta do sexo masculino. Surge sobretudo no sexo masculino, e a partir dos 40 anos de idade, mas também aparece nas mulheres, crianças e adolescentes.
Deve-se à existência durante o sono de paragens respiratórias (apneias), que são muitas vezes observadas pela companheira do doente.

Os sintomas mais frequentes são: ressonar intenso, acordar cansado, acordares frequentes durante a noite, levantar-se várias vezes para urinar durante a noite, acordar com a boca seca, cansaço diário e/ ou sonolência diurna excessiva, impotência sexual, alterações do humor, dificuldade na concentração e perda de memória.

São frequentes os acidentes de viação por adormecimento ao volante, assim com a existência de problemas familiares e no emprego.
As complicações são frequentes e são sobretudo as seguintes:
– Hipertensão Arterial
– Arritmias cardíacas nocturnas
– Cardiopatia isquémica (angina de peito, enfarte miocardio) Acidentes vasculares cerebrais (AVC)
– Insuficiência Respiratória

Hipersónia Idiopática

Doença semelhante à narcolepsia, surge também em indivíduos jovens, no entanto a hipersonolência diurna acompanha-se muitas vezes de uma dificuldade em levantar-se de manhã.

O doente encontra-se com a chamada “bebedeira de sono matinal”, levando algum tempo a recuperar.

Nesta doença não existe cataplexia, paralisia do sono e alucinações visuais.

Movimentos Periódicos

Consiste na existência durante a noite de movimentos involuntários das pernas e que provocam despertares durante o sono, modificando a estrutura do sono.

São muitas vezes percebidos pela companheira do doente durante a noite.

O doente pode queixar-se de sensação de «mau-estar» nas pernas durante o adormecer ou em situações de repouso.

Alterações do Ciclo Vigília-Sono

Quando a causa é desconhecida, e resulta de uma perturbação interna do organismo as situações clínicas mais frequentes são:

– S. Avanço da fase de sono: o doente têm o seu “relógio biológico” adiantado. Necessita de deitar-se cedo (geralmente a partir das 18 horas) e acorda também muito cedo (a partir das 3-4 horas da manhã)
-S. Atraso na fase de sono: É o contrário da situação anterior, o doente deita-se muito tarde (a partir das 2-3 horas e) e levanta-se muito tarde (depois das 10 horas da manhã)