Foto : Nuno Vasconcelos
A Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono ( SAOS ) constitui hoje em dia uma causa muito frequente de observação em Consulta de Pneumologia . A sua incidência tem vindo aumentar ao longo dos anos , devido uma maior reconhecimento da doença não só pela população em geral , como pelas várias especialidades médicas . Segundo vários estudos estima-se actualmente uma prevalência entre 4-10% da população adulta .
É muitas vezes uma doença crónica e o início da doença é habitualmente insidioso , instalando-se ao longo dos anos , num doente com queixas de ressonar.
Caracteriza-se essencialmente pela existência durante o sono de perturbações respiratórias ( apneias , hipopneias e/ou reras ), que conduzem a uma alteração na oxigenação arterial noctuna e deterioração do padrão de sono. São importantes factores de risco cardiovascular e responsáveis por alterações no estado geral do doente, por deterioração de capacidades cognitivas , por dificuldades laborais e /ou acidentes resultantes de um cansaço diário e/ ou excessiva sonolência diurna .
As complicações cardiovasculares relacionam-se sobretudo com o aparecimento de arrítmias cardíacas, hipertensão arterial sistémica e/ ou cardiopatia isquémica , com risco aumentado de morte súbita, acidente vascular cerebral e insuficiência cardíaca congestiva .
As perturbações respiratórias resultam de um estreitamento e / ou oclusão completa da via aérea superior durante o sono , numa área localizada entre as fossas nasais e a epiglote, podendo ocorrer a vários níveis da faringe .
Muitos doentes apresentam um estreitamento anatómico da via aérea superior, resultantes de alterações estruturais na faringe como são a hipertrofia da úvula, a macroglossia e/ ou o engrossamento das paredes faringeas por deposição de tecido adiposo.
O excesso de peso corporal e, particularmente o aumento do perímetro do pescoço, pela acumulação de gordura na faringe são factores importantes no estreitamento da faringe.
A acção do ressonar durante o sono, agrava a obstrução faringea, devido ao aparecimento de edema e congestão da mucosa faringea, como consequência dos microtraumatismos do ressonar que surgem ao longo da noite.
As alterações esqueléticas faciais podem também favorecer o colapso da via aérea superior. Estudos cefalométricos têm revelado que doentes com SAOS podem apresentar mandíbulas mais pequenas ( micrognatismo ), associadas ou não ao seu deslocamento posterior ( rectrognatismo ) . Para alguns autores estas alterações ósseas podem já existir na altura do nascimento e constituem mais tarde um factor de risco para a oclusão da faringe durante o sono. Outros autores têm descrito que os doentes com SAOS apresentam uma distensibilidade faringea anormalmente aumentada durante o sono, quando comparados com indivíduos normais e que este factor por si só predispõe ao aparecimento de perturbações respiratórias.
As alterações estruturais na via área superior, observadas em vígilia, não são seguramente suficientes para explicar a obstrução que ocorre durante o sono o que podemos pensar que outras causas devem existir e que continuam seguramente por diagnosticar .
Qualquer grupo etário pode estar afectado , é no entanto mais frequente entre os 40 e 60 anos de idade. Nos adultos surge com elevada frequencia no sexo masculino e nas mulheres a sua prevalência aumenta após a menopausa.
A obesidade definida por uma aumento do Indice de massa corporal superior a 30 Kg/ m2 está presente em mais de 60% dos doentes com SAOS.
A redistribuição da gordura no sexo masculino segue habitualmente um padrão central e o excesso de peso favorece o engrossamento do pescoço , com espessamento das paredes faringeas , assim como o aumento da úvula e a deposição de tecido adiposo na base da língua . No entanto, é também frequente encontramos SAOS em doentes com peso normal.
Segundo vários estudos , o aumento do diâmetro do pescoço têm melhor correlação com a SAOS do que o Indice de massa corporal.
A SAOS contribui também de forma independente para o desenvolvimento de obesidade , atraves do Síndrome metabólico , levando à resistencia da insulina e à intolerancia à glicose e aparecimento de diabetes.
A resistencia á insulina independentemente do Indice de massa corporal correlaciona-se de uma froma positiva com a gravidade da SAOS e com índice de dessaturação da oxihemoglobina nocturna .
Vários estudos têm demonstrado que a ingestão de álcool à noite , mesmo em pequenas quantidades pode induzir o aparecimento de apneias em doentes com roncopatia ou aumentar o número de perturbações respiratórias nos casos de SAOS. Esta acção relaciona-se com a diminuição na actividade dos músculos intrinsecos da faringe ( genioglosso e cricoaritnoideu ) , facilitando a colapsibilidade da via aérea superior , com agravamento do ressonar e dos episódios de apneias.
O álcool têm também uma acção antimicrodespertar, prolongando a duração dos eventos respiratórios e levando a dessaturações noctunas mais acentuadas.
Da mesma forma as benzodiazepinas e os hipnóticos nas doses clínicas habitualmente prescritas podem também favorecer o colapso da via aérea superior durante o sono e aumentar o número de perturbações respiratórias durante o sono.
Existem algumas situações esqueléticas que favorecem a oclusão da faringe como são a presença de rectrognatismo e/ou micrognatismo.
Na maioria das vezes a apneia obstrutiva do sono surge como uma entidade isolada isolada, mas pode associar-se a doenças endócrinas (hipotiroidismo, amiloidose, acromegalia, S. Cushing ); a várias doenças congénitas , que tem maior risco como o Síndrome de Down e o Síndrome de Marfan , nos quais existe uma laxidão do tecido conjuntivo , deformação da cabeça e obesidade
Síndrome de Apneia Obstrutiva do Sono : Factores de Risco
– Sexo ( Masculino )
– Idade ( 40 – 60 anos )
– Obesidade ( IMC > 30 Kg /m2 )
– Aumento de volume do pescoço
– Presença de hábitos alcóolicos e /ou tabágicos
– Consumo de farmacos ( sedativos, hipnóticos, )
– Alterações craneofaciais
– Doenças Endocrinas ( hipotiroidismo, acromegalia, amiloidose S. Cushing )
– Doenças Neurológicas ( S. Down , S. Arnorld-Chiari, S. Shy- Drager )
